1° de Abril

Tudo é mentira. Tudo é mascarado. Tudo é irreal. Tentamos no nosso dia a dia conviver com a mentira, e não é que nos acostumamos com ela?! O ser enganado, o bobo, o otário, que tem que aturar a picardia do mentiroso. Em vezes até o mentiroso se sai como bobo, fazendo de suas idéias petulantes peripécias com palavras vans e falsas. Mesquinho é aquele que mente, mas como não mentir? A verdade dói, mas cura. A mentira alivia, mas vem à tona. Mentir, mentir, mentir.
Convivemos tanto com os ‘falsos’ que foi criado um dia só para celebrar a mentira coletiva para babacas, 1° de abril, passou e eu vi, e como vi. Mas infelizmente não é só nessas 24 horas que convivemos com a mentira. Todo o tempo em que nos submetemos ao outro, a dar a cara à tapa, temos que ouvir algo falso, algo bobo, algo para nos surpreender, nos confrontar, puro e simplesmente nos enganar mesmo.
É isso, nem toda mentira é necessária, mentir sobre sentimentos é a maior mesquinharia que alguém pode cometer com o sentimento alheio, mas, pior que mentir, é ver a mentira e não aceitar a verdade.

{Nu}dez

Corpo nú
corpo vibra
corpo sinta
corpo faz
corpo mexe
corpo expressa
corpo retrai
corpo som
corpo bom
corpos que se atraem.

Amor Móbile, Amor de Vênus

Não falo do amor romântico,
Aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento.
Relações de dependência e submissão, paixões tristes.
Algumas pessoas confundem isso com amor.
Chamam de amor esse querer escravo,
E pensam que o amor é alguma coisa
Que pode ser definida, explicada, entendida, julgada.
Pensam que o amor já estava pronto, formatado, inteiro,
Antes de ser experimentado.
Mas é exatamente o oposto, para mim, que o amor manifesta.
A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado.
O amor está em movimento eterno, em velocidade infinita.
O amor é um móbile.
Como fotografá-lo?
Como percebê-lo?
Como se deixar sê-lo?
E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine?
Minha resposta? O amor é o desconhecido.
Mesmo depois de uma vida inteira de amores,
O amor será sempre o desconhecido,
A força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão.
A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação.
O amor quer ser interferido, quer ser violado,
Quer ser transformado a cada instante.
A vida do amor depende dessa interferência.
A morte do amor é quando, diante do seu labirinto,
Decidimos caminhar pela estrada reta.
Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos,
E nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim.
Não, não podemos subestimar o amor e não podemos castrá-lo.
O amor não é orgânico.
Não é meu coração que sente o amor.
É a minha alma que o saboreia.
Não é no meu sangue que ele ferve.
O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito.
Sua força se mistura com a minha
E nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu
Como se fossem novas estrelas recém-nascidas.
O amor brilha.
Como uma aurora colorida e misteriosa,
Como um crepúsculo inundado de beleza e despedida,
O amor grita seu silêncio e nos dá sua música.
Nós dançamos sua felicidade em delírio
Porque somos o alimento preferido do amor,
Se estivermos também a devorá-lo.
O amor, eu não conheço.
E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo,
Me aventurando ao seu encontro.
A vida só existe quando o amor a navega.
Morrer de amor é a substância de que a vida é feita.
Ou melhor, só se vive no amor.
E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto.


Vênus - Moska
Entre um blues amargo e um poema de vanguarda.
Por mais que não pareça, quem escreve tem um certo tom meticuloso ao expor sua idéia, seu pensamento, se auto-expor em textos é algo que me preocupou e que ainda me preocupa (com menos intensidade). O que qualquer um escreve, querendo ou não, exibe um pedaço de si, que pode ou não dar a entender o que está se sentindo no momento, nas entre linhas. Verdadeiro escritor, é aquele que consegue ''simular'' sentimentos nos seus textos, que consegue passar a mensagem ao leitor sem nem ao menos possuir o sentimento inspirado, seja ele feliz ou melancólico.

Feminina

Aquela. Extraordinária. Será que ela evolui? Será que ela evolui?
Para onde evoluir?
Complicada, educada, interessada.
Envolvente, eloqüente, desorganizada, organizada.
Contradição em vida, carne e osso.
Especial em osso, carne e vida.
Aquela que me interessa. Será que ela evolui? Será que ela evolui?
E se ela evoluir, será que isso me inclui?

{uni}verso

Cada minuto revela uma verdade não dita. Cada minuto revela uma mascara a meio rosto. Cada minuto é só mais um minuto dos centésimos, milésimos e assim por diante que ainda temos que revelar a todo instante. No verso do nosso universo, onde nossos pensamentos são onipresentes em nossas escolhas, sejam certas ou erradas, benditas ou malditas, mas que nos temos poder onipotente sobre nos mesmos de pensar em nosso uni {verso} o que queremos. Há quem se esconda, que simule pensamentos e que não mostre seu verdadeiro verso. Para que abdicar de tal liberdade para desmascarar os pensamentos? Não seria um breve acontecimento mostrar verdadeiramente a face como se é pela marca que a primeira impressão nos deixa, apesar dos pesares da duvida ou do engano, nada como a primeira vista. Só é questão de tempo, minutos, segundos. No final das contas, o tempo e a verdade é tudo que temos.

Samba Solidão

De toda carnavália, que te resta colibri?
Do que cantar pra mim? Do que cantar pra mim? Minha pobre solidão.
Do velho e gasto samba até o frevo o maracatu.
Idas e vindas do do oiapoque ao chuí, e ainda continuo só.
Ao meu axé, do afoxé. Que me deixa aqui no ladrilho do pelô.

Se até o Pierrô encontrou sua Colombina.
O que restou pra mim? o que restou pra mim? somente a solidão.
Serei agora cinzas que uma quarta, colibri.
Passei por toda festa, vi nenhuma brecha no coração daquela moça ali.
Agora fico só, com um colibri e letras de um samba solidão.
Serei só para sempre, não.
Serei só a canção sempre, sim.

Conversa a dois: Orgulho

O ser humano sustenta uns orgulhos bobos. É uma tanta coisa sem nexo que passa pelas nossas cabeças teoricamente pensantes.
O orgulho é à vontade de mostrar e dar aos outros um sentimento de força e rigidez, se mostrar resistente no sentido orgulhoso do ser às vezes pode se transformar em uma fraqueza visível, disposta a arcar com as conseqüências de perder o que realmente há de bom na vida.
Dar valor à imagem e desprezar os prazeres resultantes da audácia. Arriscar que é bom que nada! Isso funciona muito bem na teoria, mas quando a parte é pratica vem o orgulho e estraga tudo.
Mente boba, tola a nossa, que sustenta pensamentos incríveis, também pode sustentar os mais mesquinhos. O orgulho e a ignorância andam de mãos dadas, um depende do outro. O criamos para ''tentar'' atingir os outros, mas pra que serve mesmo tudo isso se a não aceitar que na verdade é um autodesprezo a si mesmo. Esse sentimento não atinge só aos outros, mas fere profundamente a quem o criou.
Os poetas inventados sofrem tanto do mal que são exemplos a não serem seguidos. Saber que o danado existe agente sabe, mas deixá-lo de lado ainda ta muito difícil.
Junto a todo esse amontoado de frases, o que na verdade se propõe é que não adianta, devemos admitir, tudo que pensamos, fazemos, falamos, mesmo querendo não enxergar gira em torno da hipocrisia.

Conversa entre: @carolslima e @pedrobrazz

Subconsciente

Mergulho em um nada constante todas as vezes que escrevo, não sei se sou eu mesmo, ou se um pseudônimo toma conta de minhas idéias. Essa duvida perante e defronte a mim me questiona atos que não são cabíveis a ações sensatas. O que pensar sem saber sua própria identidade? E o pior, não poder controlar suas ações e expor as vezes de seu intimo em palavras publicas. Eu sei, ninguém possui uma identidade nem uma liberdade concreta, ela é construída e toma como principais materiais para sua formação os atos e o caráter. Logo a minha duvida esta sendo esclarecida, minha identidade eu ainda não tenho, o que vai determinar isso são minhas ações perante aos outros e como elas serão compreendidas, minha imagem eu mesmo construo, mas como ela vai ser vista, tu terás que me contar, mas para isso terás que enxergar ate o meu reflexo.

AGHH!

No momento tenho pensado bastante, quando digo ''pensar'' estou falando em uma reflexão profunda de conceitos, sobre pessoas e principalmente sobre opiniões (minhas é claro). Sempre achei que eu tinha um defeito que considerava terrível, ser inconstante com minhas opiniões e muda-las periodicamente. Hoje penso que mudar de opinião talvez seja uma conseqüência, de influencias, desapontamentos, ou talvez crescimento intelectual ou pessoal. Como já dizia o bom Raul ''aquela velha opinião formada sobre tudo'' para mim já não servem mais, não quero te-las, e sim quero conhece-las e depois deixa-las. Há quem não concorde comigo, mas fazer o que? É outra opinião. E é disso que o mundo gira: Opiniões distintas, aqui estou só expondo a minha e talvez encontre pessoas que balancem a cabeça por mim e digam ''eu concordo'' e com certeza encontrarei pessoas que dirão ''não concordo''.
Se bem que há um momento, quando se ré-analisa opines já formadas, você percebe certas coisas que estão na sua frente e não podem ser vistas. E é uma verdadeira hipocrisia falar de pessoas, sabemos que estamos cercados de cobras, e os ''bons pastores'' são poucos, mais existem. Sentimentos bons verdadeiros são poucos, mas existem. Meu avô é quem tá certo, como ele diz: Tudo está bem, até o diabo dar por perceber. Ainda acredito no velho ditado ''o prego que se destaca é aquele que é martelado''
A amargura já está sendo notada, e os ''maus'' querem cada vez mais lucidez para se sustentar.
Por fim para ''eles'' vão minhas palavras de consolo ''FODA - SE''. Só de escrever essa palavra a alma fica mais leve. Nela, voce libera toda sua raiva, seu estresse e alguns se confortam a afronta-la a quem a merece escutar.
Minhas opiniões estão cada vez mais pra lá de marrakesh!