Mostrando postagens com marcador Ficção. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ficção. Mostrar todas as postagens

Apêndice

É como estar sentado em uma banco de praça, olhando para os rostos apáticos, sem graça. É como ficar lá, sentado, cansado de ver expressões forçadas, emoções forjadas, sorrisos vãos. Ver a vida passar, sentado, só olhando os outros, pacato, dando comida aos pombos que se aproximam. Pff, digno de uma velhinha aposentada terminado o seu tricô a rigor, ou ao menos fato clichê, demodê, para quem não tem o que fazer, a não ser olhar esses rostos apáticos que nos rodeiam.

Samba Solidão

De toda carnavália, que te resta colibri?
Do que cantar pra mim? Do que cantar pra mim? Minha pobre solidão.
Do velho e gasto samba até o frevo o maracatu.
Idas e vindas do do oiapoque ao chuí, e ainda continuo só.
Ao meu axé, do afoxé. Que me deixa aqui no ladrilho do pelô.

Se até o Pierrô encontrou sua Colombina.
O que restou pra mim? o que restou pra mim? somente a solidão.
Serei agora cinzas que uma quarta, colibri.
Passei por toda festa, vi nenhuma brecha no coração daquela moça ali.
Agora fico só, com um colibri e letras de um samba solidão.
Serei só para sempre, não.
Serei só a canção sempre, sim.

Subconsciente

Mergulho em um nada constante todas as vezes que escrevo, não sei se sou eu mesmo, ou se um pseudônimo toma conta de minhas idéias. Essa duvida perante e defronte a mim me questiona atos que não são cabíveis a ações sensatas. O que pensar sem saber sua própria identidade? E o pior, não poder controlar suas ações e expor as vezes de seu intimo em palavras publicas. Eu sei, ninguém possui uma identidade nem uma liberdade concreta, ela é construída e toma como principais materiais para sua formação os atos e o caráter. Logo a minha duvida esta sendo esclarecida, minha identidade eu ainda não tenho, o que vai determinar isso são minhas ações perante aos outros e como elas serão compreendidas, minha imagem eu mesmo construo, mas como ela vai ser vista, tu terás que me contar, mas para isso terás que enxergar ate o meu reflexo.

Prólogo

Idéias vazias, idéias rasas como uma poça d'agua que a leve garoa formou em uma tarde de segunda. Sei que isso é raro, insubstituível, sei que não nasci com isso, portanto, sinto como se fosse uma prótese colada em mim, a força, contra toda a minha vontade, contra todos os meus princípios. Me vi em um beco sem saida, no qual era ''tudo ou nada'', era ''pegar ou largar'' . Não peguei, nem larguei. Não dei tudo, nem fiz nada. Deixei acontecer, deixei por me levar, para mim, isso é muito importante, não posso deixar a qualquer preço, afinal nem terminei minha prece, afinal nem terminei o meu discurso, sigo em uma linha vertical onde a minha vida e diretamente proporcional a o tempo, ao decorrer dele sigo em frente, e as idéias vazias.. Estas me perseguem, não sempre, não para sempre. Que assim seja. Viva.

Demodê

Belo manto negro recobre o céu depois das seis, os carros continuam andando, pessoas continuam falando, tudo é bem normal daqui de cima. Observo luzes se acendendo, diversas luzes, diversas cores, tamanhos e em diversos lugares. Até aquela, a lamparina mais arcaica, se ilumina.
Pausa para um momento, paro de observar aqueles, começo a me observar. Será eu como a noite? Quiçá, poderia, quem sabe, observar mais uma vez a chegada da noite, sei que sou uma pessoa incrédula, não quero ser mais assim. Pelo menos não hoje. Pelo menos não agora, não nesse minuto.

Passagem

Num banco de praça, sozinha, lendo um livro qualquer, em uma hora de uma tarde qualquer, estava ela. Meu olhos ficaram perplexos de surpresa em vê la, mas no momento me veio uma timidez rígida no qual não consegui quebrar, passei a diante... Me arrependi, quis voltar, mas como ela reagiria ao me ver, me reconheceria? Não sei, nunca pude voltar no tempo para saber.
Enfim, os fins complementam o meio que é comandado pelo principio. Principio pelo qual nasceu um sentimento, meio pelo qual se cresceu um amor, e o fim... Ah fim, bem, não houve fim, não há fim, que nada acabe, que fique tudo subentendido...

Transparência

Caminhando pela multidão, pessoas me olham como um ser transparente. Me veem e logo ditam que estou triste ou feliz, cansado ou irritado. Transparente? Só se for por fora, me sinto tão opaco as vezes, incapaz de transmitir nenhum tipo de sentimento. Como pessoas acham que sabem como me sinto, se nem ao menos eu sei o que me passa por dentro.
De fato, a realidade é uma ilusão... As pessoas não são como imaginamos, e nem temos certeza de que ou o que vemos ou sentimos realmente existe. Então, o que é transparente? O meu, e para mim é só. Então, a transparência existe e é de todo mundo, e é de um só, a transparência é o particular, o infinito espectro que percorre nosso ego. Ninguém sabe, e só sabe de ninguém.
Falar de pessoas é difícil, pois todas são muito variáveis e previsíveis e a maioria não são transparentes.
Prefiro não acreditar em meras e vans filosofias  que contam por ai, acho isso tudo uma grande besteira, sempre prefiro acreditar em como será o meu viver, sem tentar imaginar o final. Prefiro acreditar na gratidão, na  gentileza, e no perdão à tentar entender o que um leigo em certos assuntos está tentando dizer.


Pedro Braz e Thaís Carvalho

Consciência

Hoje, nada mais que hoje, a desenquietação tomou conta de mim subitamente. Não conseguia ficar quieto, parado. Na minha cabeça, ideias, muitas ideias, e nelas a certeza de que não irei realizar nem vinte e cinco por cento delas!
Por que hoje, bem no meio de uma demorada tarde de domingo, ando de um lado para o outro sem saber o que eu quero?
Será que estou enlouquecendo?
Não, Não! Não estou Não!
Isso é passageiro, eu sei que é.. Já me acontecerá outras vezes..
Me serve de inspiração, para por meus pensamentos para fora..
A desenquietação passa...
Em casa.
Sozinho me encontro em um silencio profundo. Az vezes de tão quieto que estou, até sinto um zunbido em meus ouvidos.

Relógio

Tempo, tempo, mano velho...
O tempo passa, e não para, isso é evidente.
Eu queria ter dois relógios. Um seria normal, para me acompanhar, para eu poder ver as horas. O outro, seu ponteiro principal, sei eixo, giraria no sentido contrario, anti-horário.

O relógio normal me faria viver experiências novas, conhecer pessoas novas e viver o que a vida pode oferecer.
Já com o relógio invertido, eu poderia voltar no tempo, viver momentos felizes novamente, recordar momentos felizes, fatos e acontecimentos que não se repetem e ficam guardados somente como lembranças.
Claro que isso é só um sonho. Não é real e foge de qualquer vestígio da realidade, não se pode voltar no tempo.
Certa vez, eu conheci um senhor que afirmava ter voltado no tempo. Ele perdeu o seu filho em um acidente de carro que o próprio cometera a alguns anos.
A tristeza tomou conta deste senhor e ele jurou que se voltasse no tempo ele mudava o destino desse acidente.
Um dia aconteceu de fato, ele retornou ao passado, mais precisamente aos vinte e cinco anos, na maternidade, com seu filho no braço. Naquele momento ele jurou que iria mudar o destino.
Porém os anos passaram, haviam outras coisas do seu passado que ele também queria mudar. Acabou se tornando um homem bem sucedido e também esquecendo do seu principal propósito de ter retornado ao passado, salvar a vida de seu filho.
Temos de viver a vida no sentido horário, e por mais difícil que elas sejam, ter experiências novas, o passado é passado, é só uma lembrança, que devemos guardar na mente e no coração.
O desejo de voltar ao tempo... esse é só um sonho.

Flores

Era manhã, o céu límpido, sem nuvens, transmite uma energia intensa de que o dia será bom, e de fato começou bom, após acordar e ver o seu sorriso iluminou o meu dia.
Isso me faz feliz.
Ao sair de casa me deparo com um jardim, lindo e cheio de flores. Margaridas, rosas, gerânios, dentre outras, borboletas pairando sobre as flores, insetos interiores dando vida ao belo e raro jardim.
Isso me fez feliz.
Me dei conta que a primavera tinha chegado, e com ela uma fase florida naturalmente falando e sentimentalmente também.
Querida, é primavera!
Me de a sua mão, vamos andar sem rumo, pelos campos, pelas estradas, pelos terrenos baldios, sem medo.
Ir ver o por do sol, nadar em um rio de águas cristalinas, e a noite poder contemplar a escuridão, seus mistérios e sua beleza.
A natureza nunca é tão viva como na primavera, e meu amor é expressado da melhor forma para tal ocasião... Com flores.

Manhã

Mais uma noite com insônia.
Deitado na cama, viro de um lado, viro de outro lado e esse movimento se repete ate que canso e decido me levantar.
O que fazer quando você não consegue dormir e tem uma noite só para você?
Ócio Produtivo.
No meu caso.
Hoje vi a manha nascer.
A lua foi embora, descansar, para dar lugar ao majestoso sol.
As cinco da manha a luz lá do alto é intensa e amarelada.
Há um choque entre um azul, meio celeste no leste e meio anil no oeste, e o amarelo intenso no céu.
Aos poucos o sol vai tomando mais espaço e a luz parece ficar mais forte, mais quente.
Poucos pássaros no céu, o silencio é magistral.
Agora já posso dormir.

Interlúdio

Lá estava ela, andando vagarosamente, delicadamente, pisava no asfalto como se aquilo fosse desabar. Mas de fato, se alguém tinha que ficar sem chão naquele momento era eu. Estava vindo em minha direção uma menina, uma mulher.
Não a via a mais de quatro anos e naquele momento me veio um forte sentimento de como estivesse a vendo pela primeira vez. Uma forte nostalgia tomou conta de minha cabeça, e aquela menina, alta, cabelos curtos e negros como rubis, tinha mudado muito em quatro anos.
Em uma fração de menos de um segundo do momento em que a vi, e do momento que selou nossa despedia foi quando nos cruzamos no meio da rua, um simples 'oi' nos desconectou daquele momento.