Lembrança

Aquelas duas casinhas, singelas e simples bem no alto do horizonte, bem a cima de uma colina. Singelas, meigas e acima de tudo simples, e tua simplicidade é que chamava minha atenção... Eram as menores do vilarejo. Duas casas, uma azul e uma amarela, se completavam. Toda vez que passava pela rua meu olhar se desviava para a colina com duas casinhas em cima. Pareciam de brinquedo, e que para uma criança que só tinha oito anos, aquelas casinhas eram verdadeiros palácios... Sua riqueza de detalhes era infinda e original, só delas, nenhuma outra casa daquele vilarejo tinha tal magia. Apenas uma viela separava as duas casas, e quando chovia, ah quando chovia... subia um cheiro bom de terra molhada... uma sensação boa de paz.
Naquele vilarejo, todos conheciam todos, havia uma unica praça, uma unica igreja, e era chamado de interior, haviam pessoas honestas, que trabalhavam, davam duro, criavam seus filhos com perseverança e garra, mesmo não tendo nenhum vintém em seus bolsos e as vezes tendo que penhorar o que tinham, gente humilde, gente de fé.
Senhoras e senhoras, avante, pé na estrada, mãos calejadas, mais um dia de trabalho duro. O que se pode fazer, apesar de tudo as pessoas desse vilarejo eram felizes, sempre com um sorriso estampado, vivendo do que produzem, sendo honestos.
A noite, chamam todos para fora, pegam um pouco de lenha, tacam fogo, mais uma historia a contar. Ah as historias, lembro-me muito bem das historias da vovó, sobre aquele sertão prospero, de um povo prospero, como um dia já foi e como se depender de nos será um dia.
E lá acima, naquele horizonte, naquela colina, as duas casinhas, sempre ali... Para sempre ali.